Viajo porque preciso, volto porque te amo


A solidão inscrita na aridez nordestina, nos desenhos das pedras, num lugar prestes a não ser, numa voz que não tem corpo...



O INIMIGO DOS MEUS INIMIGOS



O Inimigo dos meus Inimigos (título muito feliz quando se trata de Estados Unidos), de 2007, dirigido pelo britânico Kevin Macdonald, é um documentário que retrata a figura de Klaus Barbie, criminoso de guerra nazista, conhecido como o "açougueiro de Lyon", onde era comandante da Gestapo. O foco do filme incide sobre as suas relações com o serviço secreto dos Estados Unidos, para quem trabalhou como espião. Barbie era torturador e teria ensinado técnicas de tortura aos americanos, mais tarde usadas fartamente nas ditaturas instituídas na América Latina.
Acusado de ter assassinado pelo menos 44 crianças judias em Auschwitz (campo de concentração na Segunda Guerra Mundial), após a guerra refugiou-se na Bolívia com a ajuda dos Estados Unidos. Nesse país, Klaus Barbie, considerado um cínico, passou a usar o nome Altman, o mesmo do rabino de sua cidade natal na Alemanha. Depois de viver durante algum tempo na companhia de judeus aprendendo técnicas agrícolas, foi aos poucos penetrando na alta roda da Bolívia, onde travou estreitas relações com membros do governo e das forças armadas.
A captura e o assassinato, em 1967, de Ernesto Che Guevara pela CIA, na Bolívia, teriam sido planejados por Barbie. Álvaro de Castro, amigo pessoal de Barbie durante muitos anos, disse em entrevista que Barbie tinha pouco respeito por Che Guevara: "Altmann (Klaus Barbie) me disse uma vez: 'Este pobre homem nunca teria sobrevivido se tivesse lutado na Segunda Guerra Mundial. Foi um aventureiro lamentável, que não tinha nada a ver com sua imagem. As pessoas o converteram em um mito, em uma grande figura. Mas o que ele conquistou realmente? Absolutamente nada'". Sobre sua relação com os Estados unidos, disse: "Ele se reuniu com o Major Shelton, o comandante da unidade norte-americana. Sem dúvidas Altmann o aconselhou como se deve lutar com a guerrilha. Ele lhe deu conselhos por sua própria experiência nesse tipo de trabalho durante a Segunda Guerra Mundial. Eles (os norte-americanos) aproveitaram muito a experiência que ele (Klaus Barbie) tinha". 


Veja na íntegra:






O pequeno italiano (Italianetz)






O filme russo, de Andrei Kravchuk, é sobre Vanya, um garoto de 6 anos que vive em um orfanato na Rússia. O orfanato em questão é um local onde ocorre todo tipo de sordidez possível. O garoto está prestes a ser adotado, ou melhor dizendo, negociado. Então, ele passa a criar situações para encontrar sua mãe. 
















MARCELINO FREIRE é escritor. Nasceu em 1967, em Sertânia, PE. Viveu no Recife e, desde 1991, reside em São Paulo. É autor, entre outros, dos livros “Angu de Sangue” (Ateliê Editorial) e “Contos Negreiros” (Editora Record, 2005). Em 2004, idealizou e organizou a antologia “Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século (Ateliê). Criou a Balada Literária, evento que, desde 2006, reúne escritores, nacionais e internacionais, pelo bairro paulistano da Vila Madalena. É um dos integrantes do coletivo EDITH, pelo qual lançou, em julho de 2011, o livro de contos “Amar É Crime”. Atualmente, quinzenalmente, assina a coluna “Microcrônicas”, no jornal O Estado de S. Paulo.














Boy




O filme neozelandês Boy (2010), de Taika Waititi, passa-se em 1984, na pequena localidade de Waihau Bay, Nova Zelândia. A paixão do menino maori de 11 anos por Michael Jackson é tão grande quanto a que ele nutre pelo pai. Sem mãe e com o pai que acaba de sair da prisão, Boy, como seu pai, deixa-se embalar por sonhos e ilusões que amenizam sua realidade.   



Sirvam-se: o veneno está na mesa


Lançado recentemente, O veneno está na mesa, documentário de Sílvio Tendler, é mais uma denúncia sobre o uso indiscriminado de agrotóxicos na agricultura e suas consequências deletérias. Duas questões me chamaram a atenção: o fato de liberações de crédito aos agricultores estarem atreladas a comprovantes de uso de fertilizantes, pesticidas e outros produtos tóxicos; o fato de que os alimentos com agrotóxicos, mesmo depois de passarem por processamento industrial, continuam com alta quantidade de veneno.
A ingestão de alimentos envenenados talvez responda, em grande parte, sobre o aumento de casos de câncer, doenças endócrinas, problemas de esterilidade, entre outros, que acometem um número considerável de pessoas mundialmente.


Veja o filme na íntegra:



Abaixo entrevista com Silvio Tendler 

(Fonte: Brasil de Fato)
Brasil de Fato – Você que é um especialista em registrar a história do Brasil, por que resolveu documentar o impacto dos agrotóxicos sobre a agricultura e não um outro tema nacional?
Silvio Tendler – Porque a partir de agora estou querendo discutir o futuro e não mais o passado. Eu tenho todo o respeito pelo passado, adoro os filmes que fiz, adoro minha obra. Aliás, meus filmes não são voltados para o passado, são voltados para uma reflexão que ajuda a construir o presente e, de uma certa forma, o futuro. Mas estou muito preocupado. Na verdade esse filme nasceu de uma conversa minha com [o jornalista e escritor] Eduardo Galeano em Montevidéu [no Uruguai] há uns dois anos atrás, em que discutíamos o mundo, o futuro, a vida. E o Galeano estava muito preocupado porque o Brasil é o país que mais consumia agrotóxico no mundo. O mundo está sendo completamente intoxicado por uma indústria absolutamente desnecessária e gananciosa, cujo único objetivo realmente é ganhar dinheiro. Quer dizer, não tem nenhum sentido para a humanidade que justifique isso que está se fazendo com os seres humanos e a própria terra. A partir daí resolvi trabalhar essa questão. Conversei com o João Pedro Stédile [coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], e ele disse que estavam preocupados com isso também. Por coincidência, surgiu a Campanha permanente contra os Agrotóxicos, movida por muitas entidades, todas absolutamente muito respeitadas e respeitáveis. Fizemos a parceria e o filme ficou pronto. É um filme que vai ter desdobramentos, porque eu agora quero trabalhar essas questões.

Então seus próximos documentários deverão tratar desse tema?
Pra você ter uma ideia, no contrato inicial desse documentário consta que ele seria feito em 26 minutos, mas é muita coisa pra falar. Então ficou em 50 [minutos]. E as pessoas quando viram o filme, ao invés de me dizerem ‘está muito longo’, disseram ‘está curto, você tem que falar mais’. Quer dizer, tem que discutir outras questões, e aí eu me entusiasmei com essa ideia e estou querendo discutir temas conexos à destruição do planeta por conta de um modelo de desenvolvimento perverso que está sendo adotado. Uma questão para ser discutida de forma urgente, que é conexa a esse filme, é o agronegócio. É o modelo de desenvolvimento brasileiro. Quer dizer, porque colocar os trabalhadores para fora da terra deles para que vivam de forma absolutamente marginal, provocando o inchaço das cidades e a perda de qualidade de vida para todo mundo, já que no espaço onde moravam cinco, vão morar 15? Por que se plantou no Brasil esse modelo que expulsa as pessoas da terra para concentrar a propriedade rural em poucas mãos, esse modelo de desenvolvimento, todo ele mecanizado, industrializado, desempregando mão de obra para que algumas pessoas tenham um lucro absurdo? E tudo está vinculado à exploração predatória da terra. Por que nós temos que desenvolver o mundo, a terra, o Brasil em função do lucro e não dos direitos do homem e da natureza? Essas são as questões que quero discutir.

Você também mostrou que até mesmo os trabalhadores que não foram expulsos do campo estão morrendo por aplicar em agrotóxicos nas plantações. O impacto na saúde desses agricultores é muito grande...
É mais grave que isso. Na verdade, o cara é obrigado a usar o agrotóxico. Se ele não usar o agrotóxico, ele não recebe o crédito do banco. O banco não financia a agricultura sem agrotóxico. Inclusive tem um camponês que fala isso no filme, o Adonai. Ele conta que no dia em que o inspetor do banco vai à plantação verificar se ele comprou os produtos, se você não tiver as notas da semente transgênica, do herbicida, etc, você é obrigado a devolver o dinheiro. Então não é verdade que se dá ao camponês agricultor o direito de dizer ‘não quero plantar transgênico’, ‘não quero trabalhar com herbicidas’, ‘quero trabalhar com agricultura orgânica, natural’. Porque para o banco, a garantia de que a safra vai vingar não é o trabalho do camponês e a sua relação com a terra, são os produtos químicos que são usados para afastar as pestes, afastar pragas. Esse modelo está completamente errado. O camponês não tem nenhum tipo de crédito alternativo, que dê a ele o direito de fazer um outro tipo de agricultura. E aí você deixa as pessoas morrendo como empregadas do agronegócio, como tem o Vanderlei, que é mostrado no filme. Depois de três anos fazendo a tal da mistura dos agrotóxicos, morreu de uma hepatopatia grave. Tem outra senhora de 32 anos que está ficando totalmente paralítica por conta do trabalho dela com agrotóxico na lavoura do fumo.

A impressão que dá é que os brasileiros estão se envenenando sem saber. Você acha que o filme pode contribuir para colocar o assunto em discussão?
Eu acho que a discussão é exatamente essa, a discussão é política. Eu, de uma certa maneira, despolitizei propositadamente o documentário. Eu não queria fazer um discurso em defesa da reforma agrária ou contra o agronegócio para não politizar a questão, para não parecer que, na verdade, a gente não quer comer bem, a gente quer dividir a terra. E são duas coisas que, apesar de conexas, eu não quis abordar. Eu não quis, digamos assustar a classe média. Eu só estou mostrando os malefícios que o agrotóxico provoca na vida da gente para que a classe média se convença que tem que lutar contra os agrotóxicos, que é uma luta que não é individual, é uma luta coletiva e política. Tem muita gente que parte do princípio ‘ah, então já sei, perto da minha casa tem uma feirinha orgânica e eu vou me virar e comer lá’, porque são pessoas que têm maior poder aquisitivo e poderiam comprar. Mas a questão não é essa. A questão é política, porque o agrotóxico está infiltrado no nosso cotidiano, entendeu? Queira você ou não, o agrotóxico chega à sua mesa através do pão, da pizza, do macarrão. O trigo é um trigo transgênico e chega a ser tratado com até oito cargas de pulverizador por ano. Você vai na pizzaria comer uma pizza deliciosa e aquilo ali tem transgênico. O que você está comendo na sua mesa é veneno. Isso independe de você. Hoje nada escapa. Então, ou você vai ser um monge recluso, plantando sua hortinha e sua terrinha, ou se você é uma pessoa que vai ficar exposta a isso e será obrigada a consumir.
Como você avalia o governo Dilma a partir dessa política de isenção fiscal para o uso de agrotóxico no campo brasileiro?
Deixa eu te falar, o governo Dilma está começando agora, não tem nenhum ano, então não dá para responsabilizá-la por essa política. Na verdade esse filme vai servir de alerta para ela também. Muitas das coisas que são ditas no filme, eles [o governo] não têm consciência. Esse filme não é para se vingar de ninguém. É para alertar. Quer dizer, na verdade você mora em Brasília, você está longe do mundo, e alguém diz para você ‘ah, isso é frescura da esquerda, esse problema não existe’, e os relatórios que colocam na sua mesa omitem as pessoas que estão morrendo por lidar diretamente com agrotóxico. [As mortes] vão todas para as vírgulas das estatísticas, entendeu? Acho que está na hora de mostrar que muitas vidas não seriam sacrificadas se a gente partisse para um modelo de agricultura mais humano, mais baseado nos insumos naturais, no manejo da terra, ao invés de intoxicar com veneno os rios, os lagos, os açudes, as pessoas, as crianças que vivem em volta, entendeu? Eu acho que seria ótimo se esse filme chegasse nas mãos da presidenta e ela pudesse tomar consciência desse modelo que nós estamos vivendo e, a partir daí, começasse a mudar as políticas.

No documentário você optou por não falar com as empresas produtoras de agrotóxicos. Essa ideia ficou para um outro documentário?
É porque eu não quis fazer um filme que abrisse uma discussão técnica. Se as empresas reclamarem muito e pedirem para falar, eu ouço. Eu já recebi alguns pedidos e deixei as portas abertas. No Ceará eu filmei um cara que trabalha com gado leiteiro que estava morrendo contaminado por causa de uma empresa vizinha. Eu filmei, a empresa vizinha reclamou e eu deixei a porta aberta, dizendo ‘tudo bem, então vamos trabalhar em breve isso num outro filme’. Se as empresas que manipulam e produzem agrotóxico me chamarem para conversar, eu vou. E vou me basear cientificamente na questão porque eles também são craques em enrolar. Querem comprovar que você está comendo veneno e tudo bem (risos). E eu preciso de subsídios para dizer que não, que aquele veneno não é necessário para a minha vida. Nesse primeiro momento, eu quis botar a discussão na mesa. Algumas pessoas já começaram a me assustar, ‘você vai tomar processo’, mas eu estou na vida para viver. Se o cara quiser me processar por um documentário no qual eu falei a verdade, ele processa pois tem o direito. Agora, eu tenho direito como cineasta, de dizer o que eu penso.

Esse filme será lançado somente no Rio ou em outras capitais também?
Eu estou convidado também para ir para Pernambuco em setembro, mas o filme pode acontecer independente de mim. Esse filme está saindo com o selinho de ‘copie e distribua’. Ele não será vendido. A gente vai fazer algumas cópias e distribuir dentro do sentido de multiplicação, no qual as pessoas recebem as cópias, fazem novas e as distribuem. O ideal é que cada entidade, e são mais de 20 bancando a Campanha, consiga distribuir pelo menos mil unidades. De cara você tem 20 mil cópias para serem distribuídas. E depois nós temos os estudantes, os movimentos sociais e sindicais, os professores. Vai ser uma discussão no Brasil. Temos que levar esse documentário para Brasília, para o Congresso, para a presidenta da República, para o ministro da Agricultura, para o Ibama. Todo mundo tem que ver esse filme.

E expectativa é boa então?
Sim. Eu sou um otimista. Sempre fui.
Cidadão Boilesen


A ditadura no Brasil, destituída de qualquer traço de ética ou humanidade, sequestrou, torturou e matou inúmeras pessoas. Para isso, utilizou como instrumentos o pau de arara, o choque elétrico, o afogamento, a cadeira do dragão, empregou o empalamento e a degola e queimou corpos.


A Argentina decidiu abrir todos os arquivos confidenciais das Forças Armadas referentes ao período (1976-1983) da ditadura militar. Já no Brasil, somente a possibilidade de se criar a Comissão Nacional da Verdade é motivo de muito estardalhaço. Sabemos quase nada sobre o que verdadeiramente transcorreu nesse período.


Dirigido por Chaim Litewski, fruto de 16 anos de produção, o filme Cidadão Boilesen expõe a relação corrupta entre grupos empresariais e a Operação Bandeirante e entre o aparato repressivo e as finanças. O personagem central é o dinamarquês Henning Albert Boilesen, na época presidente da Ultragaz, assassinado em 1971 com 19 tiros. Homem frio e calculista, sentia prazer em presenciar sessões de tortura e foi responsável pelo instrumento de tortura conhecido como “pianola Boilesen”.


Os caminhões da Ultragaz tinham estreita associação com as prisões políticas como comprovam depoimentos e documentos. Também é comprovada a ligação de Boilesen com o delegado Fleury e o Esquadrão da Morte. Assim também são exibidos os bastidores do plano engendrado em 1969 para coletar fundos para financiar a OBAN (Operação Bandeirante) – germe do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) –, formada por policiais civis e militares para combater o "terrorismo".


E é por expor um pouquinho dessa monstruosa época que Cidadão Boilesen é um documentário imperdível.





O Grupo Baader Meinhof



O filme O Grupo Baader Meinhof (Der Baader Meinhof Komplex – Alemanha/2009), dirigido por Uli Edel e baseado no best-seller homônimo de Stefan Aust, é sobre a Facção Exército Vermelho (em alemão, Rote Armee Fraktion ou RAF), também conhecida como Baader-Meinhof. Com a utilização de gravações dos julgamentos e trechos de cartas para compor os diálogos, o filme buscou abordar os fatos reais o mais fielmente possível.
A RAF foi uma organização de guerrilha urbana de extrema esquerda, na antiga Alemanha Ocidental, fundada em 1970 e extinta em 1998.

Com origem no movimento estudantil dos anos 1960, a RAF protestava contra a guerra do Vietnã, a pobreza do terceiro mundo e a questão da energia nuclear, criticando o governo pós-nazismo, de extrema direita, aliado aos Estados Unidos e considerado fascista pelos estudantes de esquerda.

As reivindicações da RAF eram orientadas por justiça e igualdade e muito coerentes. Simpatizo com suas ideias. Se a violência não é o caminho ideal, então que armas poderiam ser empregadas no contexto atual em busca de justiça e igualdade?

Para saber mais:  

Cronologia das ações da RAF na Alemanha








Água

É bem da política corporativa e governamental, em sua simbiose infame, desviar nossa atenção para questões pequenas – e por vezes ridículas –, que se agigantam com o auxílio da grande mídia e de publicitários, também a serviço da banalização da realidade. Para isso também colabora uma legião de pessoas “bem intencionadas” que militam por causas evidenciadas pela grande mídia.
O destaque da atualidade é o meio ambiente, especificamente o “grande e importantíssimo problema das sacolinhas plásticas”. Quando perguntados sobre sua atuação para a proteção do meio ambiente, esses militantes (jovens, idosos e crianças) respondem prontamente e com ares de importância: “Ah, eu levo minha própria sacola cem por cento algodão. Ah, e também separo meu lixo.”  Será que essas pessoas já pararam pra pensar no volume de embalagens que acompanham os produtos que elas enfiam em sua sacolinha cem por cento natural? Acredito que não. E olha que tudo tem embalagem, e põe embalagem nisso! Só falta embalar o oxigênio que respiramos, pois a água já vem embalada.
E por falar em água – esse, sim, um tema de extrema relevância –, eis o meu foco. A terra tem cerca de ¾ de sua superfície constituídos por água. Desse total, 97,50% é de água salgada, contida nos oceanos e mares e apenas 0,77% dessa água pode ser imediatamente aproveitável para as atividades humanas (a maior parte, águas subterrâneas). Cerca de 1,70% da água doce se encontra nas calotas polares e nas geleiras e 0,017% está distribuído entre o solo, rios e lagos e na atmosfera.
E como aprendemos na escola primária, todos os seres vivos necessitam do sol e da água para sobreviver etc. etc. Por isso, todas as nações começaram à beira de um rio, que supria suas necessidades próprias, assim como as dos animais e da lavoura. Era a água que determinava onde se localizaria uma cidade. Mais tarde, o homem, soberano e senhor de suas vontades, começou a decidir a seu bel prazer onde seriam edificadas as cidades e onde seriam produzidos os seus alimentos, sem se importar com a geografia. E assim foram se construindo aquedutos e canalizações que tranportavam a água a longas distâncias. E assim é até hoje. E muito pior, porque a agricultura muitas vezes ocorre muito longe da água que a abastece. Mas por quê?, nos peguntamos. E as respostas são inúmeras: mão de obra barata, baixos impostos, subsídios e muitas outras. E tudo tem um preço, administradores e porquês. O preço é bem alto, o que é bom para as empresas privadas que atuam no mundo todo administrando os sistemas de águas e esgotos e péssimo para nós, contribuintes compulsórios. Em alguns países como a Bolívia, onde a população – pasmem – foi proibida até de reter água da chuva, houve muita convulsão, o que fez com que a negociata fosse desfeita e a administração do sistema voltasse novamente às mãos do poder público. Mas infelizmente nem todos os países tiveram sucesso, e pessoas sofrem os males consequentes de águas contaminadas por não terem dinheiro pra comprar água, como é o casos de muitas localidades na África.
Além disso, a exploração da água potável está sendo concedida pelos governos locais a empresas como a Nestlé, maior detentora de fontes de água do mundo, que a engarrafa e a vende a preços exorbitantes. E para que consumamos lançam mão de campanhas que sugerem que a água da torneira é imprópria para ser consumida. Assim, engolindo essas mentiras, ficamos reféns desse “novo produto”. E o que acontece com as abomináveis garrafas? São enviadas para a Índia, onde se transformam em belas montanhas, formando novas paisagens.
O assunto é muito grave. Na maioria dos países não há leis protegendo a água como um bem público. E pra se ter ideia de quão perto o problema pode estar de nós: a primeira pessoa com quem eu comentei o assunto disse que aqui mesmo em Sorocaba, um proprietário de um sítio está cedendo a água de sua propriedade para uma empresa comercializar. Resultado: os lençóis freáticos da região estão secando e todas as propriedades do entorno estão ficando sem água. Buscando providências para resolver a questão, os prejudicados ouviram da superintendente da CETESB que nada podia ser feito, pois não havia leis regulamentando esse assunto.
O fato é que está sendo travada uma guerra da água ao redor do mundo. No aquífero Guarani, um dos mais importantes do mundo, os EUA já montaram uma base militar, e pra proteger a água para os brasileiros, argentinos e paraguaios é que não é.
E o que podemos fazer? Talvez possamos começar nos informando sobre as políticas de água e esgoto da comunidade em que vivemos (saber se a administração é privada ou pública, qual o preço, como é a qualidade da água, se ela é própria pra consumo, ou é mesmo necessário comprar água engarrafada, como funciona o tratamento da água e do esgoto, onde são emitidos os esgotos, quais são os órgãos responsáveis pela fiscalização e regulamentação da água, se há grupos ou ONGs que lutam pelas questões ligadas ao tema, etc.).
Aí vai um endereço onde você encontrará links sobre o assunto: http://www.agua.bio.br/botao_e_T.htm


Pop Choro

O CD Pop Choro de Armandinho, considerado um dos maiores instrumentistas brasileiros, é música da boa! Lançado em 2009 pela Biscoito Fino, o CD tem 14 faixas do DVD homônimo gravado ao vivo em 2006. É chorinho, rock, pop e música regional brasileira misturados com genialidade por Armandinho e sua banda: Marcelo Brasil, na bateria, Rudson Daniel, na percussão, Cezário Leone, no baixo, e Yacoce, no piano e acordeon e também assinando a direção musical. Pop Choro tem arranjos próprios ou de Yacoce, parceiro em uma das faixas, Um Tom pro Ernesto, em que homenageiam o mestre Ernesto Nazareth. No repertório do CD, a presença dos mestres Ary Barroso (Aquarela do Brasil), Sivuca (Forró Bachiano, com Armandinho), Jacob do Bandolim (Noites Cariocas) e parcerias com Kinho Xavier (Pop Choro Exaltação), Luiz Brasil (Lembrando Jacob, Pororocas e Jazziquifrevo), Zeca Barreto (Alto Leblon) e Luiz Caldas, que também faz uma participação especial (Bonitinho e Gostoso). Três composições são assinadas por Armandinho: Desde Garoto, Pop Choro Lento e Dança do Tempo. Dá pra curtir um pouquinho em http://www.myspace.com/armandinhomacedo.

Deixa ela entrar  
(Låt den rätte komma in, 2008)


 
Mesmo que você, como eu, não suporte mais ver filmes de vampiros, não deixe de assistir Deixa ela entrar, de Tomas Alfredson. O filme sueco usa o tema do vampirismo como uma metáfora para as dificuldades da adolescência. Nesse filme, o vampiro sensual e dissimulado que vive em castelos luxuosos dá lugar a uma personagem pobre, que mora num apartamento sujo do subúrbio e ataca levada pela necessidade de se alimentar.
Eli (Lina Leandersson), a vampira, tem 12 anos (há 200 anos) e não é muito de socializar. Oskar (Kåre Hedebrant) também tem 12 anos e é um garoto solitário e oprimido por seus colegas na escola. Vizinhos, eles se conhecem e dão início a uma relação que tem muitos pontos de identidade. Ambos sentem-se estranhos no mundo em que estão inseridos e são solitários e incompreendidos. Além disso, é notável a precariedade de comunicação entre todos os personagens, o que denota inumeráveis ilhas de solidão. No meio disso tudo, porém, Oscar e Eli conseguem estabelecer um código de comunicação.
Talvez o título Deixe ela entrar esteja dizendo que devemos abrir a porta para o estranho, o diferente, o outro, o desconhecido... O adolescente é mesmo como um vampiro: tem uma fome desenfreada, é desengonçado nas relações, sente-se como alguém que já viveu tudo, acredita-se cheio de poderes e vê seu futuro como se fosse uma vida eterna. O adolescente é imortal!

 

Lojas de canela


A obra literária de Bruno Schulz (1892-1942) resume-se em Lojas de canela (1934), Sanatório (1937) e uma novela curta. Contrariando a temática e a poética impostas pelo realismo socialista, sua prosa fica à margem da realidade. Sua narrativa poética, recheada de metáforas, nos leva a mergulhar num mundo mítico e pessoal de onde se desentranham a memória, o tempo, o corpo, a infância, a casa. Bruno Schulz já se expressava pelo desenho antes de ser escritor. E seus desenhos desde cedo tendiam ao masoquismo.

Na Segunda Guerra Mundial, em 1939, o judeu polonês foi forçado a viver no gueto de Drohobycz. Há relatos de que era “protegido” por um oficial da Gestapo que apreciava seu talento para o desenho. Pouco depois de acabar o trabalho de pintura de um mural em sua casa, foi morto a tiros por um oficial alemão, rival do seu admirador, e o seu mural foi escondido. 


 



Ali Ibrahim Farka Touré - um bluesman na África




Ali Ibrahim "Farka" Touré (31 de outubro de 1939 - 7 de março de 2006) foi um cantor e guitarrista maliano e um dos músicos do continente africano mais reconhecidos internacionalmente. A crítica vê a sua música  como representando o ponto de intersecção da música tradicional do Mali e oo blues norte-americano. Martin Scorsese caracteriza a tradição de Touré como fazendo parte do "ADN dos Blues". Touré foi classificado na lista da revista Rolling Stone nº 76 entre os 100 maiores guitarristas de todos os tempos. O CD Savane é nota 10.

 Zelig


Sou fã de Woody Allen, e Zelig (1983) é um de seus filmes de que
mais gosto. Filmado em forma de documentário, tem como personagem central Leonard Zelig, o homem camaleão, capaz de assumir a aparência e o comportamento de qualquer pessoa ao seu lado.
A psicanalista Eudora Fletcher (Mia Farrow) analisa Zelig e diagnostica que ele tem múltiplas personalidades. Sua insegurança faz com que ele se mescle com os outros para não ser rejeitado. No filme, Zelig aparece em inúmeras situações e momentos da história e com personagens como Hitler, Kennedy, entre tantos outros. “Ao morrer, Morris Zelig (seu pai) diz ao filho que a vida é um pesadelo de sofrimento sem sentido. E o único conselho que lhe dá é que seja econômico.”
Zelig fala sobre a necessidade de se ajustar, de usar máscaras para ser aceito. Como é difícil manter um pensamento próprio, original, mesmo que vá completamente contra a corrente! E quem não precisou ser como Zelig em algum momento de sua vida que atire a primeira pedra – se não se transformou no outro, no mínimo baixou a cabeça e silenciou. E é o que mais se vê hoje: falta de pensamento genuíno. O fato de o sol brilhar não significa que o dia está bonito – isso depende das circunstâncias emocionais do indivíduo que o está interpretando. Ser camaleão é interessante, mas, às vezes, pode ser muito perigoso.


Confissão
(Lygia Fagundes Telles)
- Fui me confessar ao mar.
- E o que ele disse?
- Nada.




DA SERVIDÃO MODERNA

"""  Cavalheiros, a vida é curta. Se vivemos, vivemos para arrancar a cabeça dos reis."   (W. Shakespeare)

O documentário Da servidão moderna, dirigido por Jean-François Brient (França - Colômbia, 2009) é imprescindivel. Não se trata de diversão ou perda de tempo. É só.


Abaixo, transcrição do momentos iniciais do filme. 




"'Meu otimismo está baseado na certeza de esta civilização está para se desmoronar.
E meu pessimismo está em tudo o que se faz por nos arrastarem em sua queda.'

'Que época tão terrível é esta em que uns idiotas conduzem uns cegos.' William Shakespeare

A servidão moderna é uma escravidão voluntária, consentida pela multidão de escravos que se arrastam pela face da Terra. Eles mesmos compram as mercadorias que os escravizam cada vez mais. Eles mesmos procuram um trabalho cada vez mais alienante que lhes é dado se demonstram estar suficientemente domados. Eles mesmos escolhem os mestres a quem deverão servir.
Para que esta tragédia absurda possa ter lugar, foi necessário tirar desta classe a consciência de sua exploração e de sua alienação. Aí está a estranha modernidade de nossa época. Contrariamente aos escravos da Antiguidade, aos servos da Idade Média e aos operários das primeiras revoluções industriais, estamos hoje diante de uma classe totalmente escravizada, só que não sabe, ou melhor, não quer saber. Eles ignoram a rebelião, que deveria ser a única e legítima expressão dos explorados. Aceitam, sem discutir, a vida lamentável que se planejou para eles. A renúncia e a resignação são a fonte de sua desgraça. Eis aí o pesadelo dos escravos modernos, que almejam somente ser levados por essa dança macabra do sistema da alienação.
A alienação se moderniza expandindo por todas as partes as formas de mistificação que permitem ocultar nossa condição de escravos.
Mostrar a realidade tal como é e não tal como apresenta o poder constitui a mais genuína subversão. Só a verdade é revolucionária."





As questões relacionadas à existência desde sempre instigaram o homem: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?
Movido pela busca dessas respostas, o homem ampliou seu conhecimento de tal forma que alguns físicos creem estar a ponto de desfazer o nó górdio da criação: a existência ou não de Deus.
Sobre Deus, a ciência (principalmente a física quântica) ainda não tem certeza, mas está cada vez mais perto de esclarecer sobre a origem do mundo.
O certo é que a pesquisa atômica jogou luz sobre aspectos do universo nunca antes imaginados. 
O universo está sempre se expandindo, assim também ocorre com nosso conhecimento sobre ele. Ampliando nosso conhecimento, expande-se o universo, assim como as possibilidades de novas realidades.
 A Bíblia diz que no princípio era o “verbo” e eu acho que era a poesia. Pelo caminho que os cientistas estão tomando, a explicação da origem do mundo só é possível por meio da poesia. As imagens captadas pelo telescópio Hubble são sublimes, de uma beleza indescritível, pura poesia.
Devemos tentar, de alguma forma, acompanhar os passos desses homens que estão fazendo história. Pensar que somos poeira de estrelas, que estamos aqui desde quando tudo começou, que somos seres atemporais tem me trazido muita alegria. Olho para o céu e lá vejo meu começo, meus ancestrais, minhas possibilidades, me vejo como infinito.
Precisamos  ampliar nosso conhecimento sobre o universo e fazer o possível para tirar o véu que recobre a realidade. Desejo a todos um 2010 com muitas descobertas, que todos tenham muito tempo para contemplar o céu estrelado e que não tenhamos preguiça de perseguir a verdade oculta sob a realidade que temos diante dos olhos.
Vamos expandir nosso universo!



Abaixo um documentário muito esclarecedor sobre o atomismo, com três partes.

Parte 1 - Encontro de titãs



Parte 2 - A chave para o cosmos




Parte 3 - A ilusão da realidade



A PONTE
 

A ponte Golden Gate é o cartão-postal de São Francisco, Estados Unidos. Durante todos os dias de 2004, o cineasta americano Eric Steel colocou câmeras em vários ângulos para registrar todos os acontecimentos cotidianos. Resultado: nesse período ele registrou 24 quedas dessa ponte que tem altura de 130 metros. As imagens nos fazem deparar com momentos de angústia e de difícil decisão de pôr um ponto final na vida.
O filme A ponte é angustiante. Fico pensando se algum gesto, um olhar, um sorriso, uma palavra ao acaso não seria motivo para demover dessas pessoas a ideia de suicídio. Mas se andamos por aí olhando para o próprio umbigo, por que seria diferente sobre essa ponte. Ensimesmados em pensamentos, na solidão do mundo moderno, talvez também estivéssemos atentos e seduzidos pelo convite da água, pela libertação do salto. Quem sabe se, depois de tanto assédio, não sucumbiríamos também.
Afinal, se pensarmos na condição humana, são tão frágeis as cordas que nos prendem aos ancoradouros!



A morte do sr. Lazarescu



O título A morte do Sr. Lazarescu é a sinopse do filme romeno. No entanto, o personagem, que tem nome e sobrenome, não nos é apresentado mais detalhadamente. Sabemos que vive só, com três gatos, num apartamento sujo. Um telefonema à sua irmã nos dá a conhecer um pouco da relação com sua família: distante e problemática. Seu relacionamento com a vizinhança parece bem superficial. Não há muitos indícios que nos mostrem o Sr. Lazaresco como um vilão ou uma vítima. Não se expõem as experiências vividas pelo personagem, nem mesmo seus valores ou ideais. Então, por que seguimos com tanta compaixão a jornada desse homem na esperança de obter assistência médica? Temos empatia com ele, talvez pelo fato de se encontrar no momento mais delicado da existência humana, diante do fim. Há uma frase que diz que devemos viver bem para morrer bem. Mas e se a morte nos pega nos hospitais públicos, em pijama, sujos do próprio excremento, vivendo o descaso de profissionais negligentes? Como escrever esse epílogo com as tintas da dignidade? Talvez não tenhamos medo da morte, mas sim de que num momento tão grandioso, seja para o bem ou para o mal, não nos sobre pelo menos a capacidade de pronunciar nosso nome.




Este é um país democrático. Todos têm direito à expressão. Ah, claro, desde que essa expressão esteja de acordo com establishment, já que apenas 11 famílias são donas dos meios de comunicação (tv, rádio e mídia impressa) no Brasil. E elas abarrotam diariamente nossas vidas com informações "imprescindiveis" para nossa existência. E vai você montar uma rádio alternativa para ver o que acontece! O que nos resta é a internet, e deveríamos fazer um ótimo aproveitamento desse meio de comunicação em massa. No entanto, se não abrirmos os olhos, o acesso a esse veículo pode ser limitado uma hora ou outra. Não é interessante para o poder que informações, além das permitidas por ele, sejam veiculadas. Para reagir, não ligo tv nem rádio, tampouco leio jornais e revistas desinformantes (Veja, Folha e Estado de S. Paulo, entre outros). O jeito é usar a mídia alternativa para ter um bocadinho de informação.