Mostrando postagens com marcador Ditadura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ditadura. Mostrar todas as postagens

O INIMIGO DOS MEUS INIMIGOS



O Inimigo dos meus Inimigos (título muito feliz quando se trata de Estados Unidos), de 2007, dirigido pelo britânico Kevin Macdonald, é um documentário que retrata a figura de Klaus Barbie, criminoso de guerra nazista, conhecido como o "açougueiro de Lyon", onde era comandante da Gestapo. O foco do filme incide sobre as suas relações com o serviço secreto dos Estados Unidos, para quem trabalhou como espião. Barbie era torturador e teria ensinado técnicas de tortura aos americanos, mais tarde usadas fartamente nas ditaturas instituídas na América Latina.
Acusado de ter assassinado pelo menos 44 crianças judias em Auschwitz (campo de concentração na Segunda Guerra Mundial), após a guerra refugiou-se na Bolívia com a ajuda dos Estados Unidos. Nesse país, Klaus Barbie, considerado um cínico, passou a usar o nome Altman, o mesmo do rabino de sua cidade natal na Alemanha. Depois de viver durante algum tempo na companhia de judeus aprendendo técnicas agrícolas, foi aos poucos penetrando na alta roda da Bolívia, onde travou estreitas relações com membros do governo e das forças armadas.
A captura e o assassinato, em 1967, de Ernesto Che Guevara pela CIA, na Bolívia, teriam sido planejados por Barbie. Álvaro de Castro, amigo pessoal de Barbie durante muitos anos, disse em entrevista que Barbie tinha pouco respeito por Che Guevara: "Altmann (Klaus Barbie) me disse uma vez: 'Este pobre homem nunca teria sobrevivido se tivesse lutado na Segunda Guerra Mundial. Foi um aventureiro lamentável, que não tinha nada a ver com sua imagem. As pessoas o converteram em um mito, em uma grande figura. Mas o que ele conquistou realmente? Absolutamente nada'". Sobre sua relação com os Estados unidos, disse: "Ele se reuniu com o Major Shelton, o comandante da unidade norte-americana. Sem dúvidas Altmann o aconselhou como se deve lutar com a guerrilha. Ele lhe deu conselhos por sua própria experiência nesse tipo de trabalho durante a Segunda Guerra Mundial. Eles (os norte-americanos) aproveitaram muito a experiência que ele (Klaus Barbie) tinha". 


Veja na íntegra:


Cidadão Boilesen


A ditadura no Brasil, destituída de qualquer traço de ética ou humanidade, sequestrou, torturou e matou inúmeras pessoas. Para isso, utilizou como instrumentos o pau de arara, o choque elétrico, o afogamento, a cadeira do dragão, empregou o empalamento e a degola e queimou corpos.


A Argentina decidiu abrir todos os arquivos confidenciais das Forças Armadas referentes ao período (1976-1983) da ditadura militar. Já no Brasil, somente a possibilidade de se criar a Comissão Nacional da Verdade é motivo de muito estardalhaço. Sabemos quase nada sobre o que verdadeiramente transcorreu nesse período.


Dirigido por Chaim Litewski, fruto de 16 anos de produção, o filme Cidadão Boilesen expõe a relação corrupta entre grupos empresariais e a Operação Bandeirante e entre o aparato repressivo e as finanças. O personagem central é o dinamarquês Henning Albert Boilesen, na época presidente da Ultragaz, assassinado em 1971 com 19 tiros. Homem frio e calculista, sentia prazer em presenciar sessões de tortura e foi responsável pelo instrumento de tortura conhecido como “pianola Boilesen”.


Os caminhões da Ultragaz tinham estreita associação com as prisões políticas como comprovam depoimentos e documentos. Também é comprovada a ligação de Boilesen com o delegado Fleury e o Esquadrão da Morte. Assim também são exibidos os bastidores do plano engendrado em 1969 para coletar fundos para financiar a OBAN (Operação Bandeirante) – germe do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna) –, formada por policiais civis e militares para combater o "terrorismo".


E é por expor um pouquinho dessa monstruosa época que Cidadão Boilesen é um documentário imperdível.