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A PONTE
 

A ponte Golden Gate é o cartão-postal de São Francisco, Estados Unidos. Durante todos os dias de 2004, o cineasta americano Eric Steel colocou câmeras em vários ângulos para registrar todos os acontecimentos cotidianos. Resultado: nesse período ele registrou 24 quedas dessa ponte que tem altura de 130 metros. As imagens nos fazem deparar com momentos de angústia e de difícil decisão de pôr um ponto final na vida.
O filme A ponte é angustiante. Fico pensando se algum gesto, um olhar, um sorriso, uma palavra ao acaso não seria motivo para demover dessas pessoas a ideia de suicídio. Mas se andamos por aí olhando para o próprio umbigo, por que seria diferente sobre essa ponte. Ensimesmados em pensamentos, na solidão do mundo moderno, talvez também estivéssemos atentos e seduzidos pelo convite da água, pela libertação do salto. Quem sabe se, depois de tanto assédio, não sucumbiríamos também.
Afinal, se pensarmos na condição humana, são tão frágeis as cordas que nos prendem aos ancoradouros!



A morte do sr. Lazarescu



O título A morte do Sr. Lazarescu é a sinopse do filme romeno. No entanto, o personagem, que tem nome e sobrenome, não nos é apresentado mais detalhadamente. Sabemos que vive só, com três gatos, num apartamento sujo. Um telefonema à sua irmã nos dá a conhecer um pouco da relação com sua família: distante e problemática. Seu relacionamento com a vizinhança parece bem superficial. Não há muitos indícios que nos mostrem o Sr. Lazaresco como um vilão ou uma vítima. Não se expõem as experiências vividas pelo personagem, nem mesmo seus valores ou ideais. Então, por que seguimos com tanta compaixão a jornada desse homem na esperança de obter assistência médica? Temos empatia com ele, talvez pelo fato de se encontrar no momento mais delicado da existência humana, diante do fim. Há uma frase que diz que devemos viver bem para morrer bem. Mas e se a morte nos pega nos hospitais públicos, em pijama, sujos do próprio excremento, vivendo o descaso de profissionais negligentes? Como escrever esse epílogo com as tintas da dignidade? Talvez não tenhamos medo da morte, mas sim de que num momento tão grandioso, seja para o bem ou para o mal, não nos sobre pelo menos a capacidade de pronunciar nosso nome.